Jogos para toda a família

Criar memórias à volta da mesa

O meu nome é Tiago e, como dono de uma loja em Coimbra, a pergunta que mais ouço é: “Como é que tiro o meu filho do tablet?”. A resposta não é mágica, é tática. As crianças não querem apenas jogar; elas querem a nossa atenção. Um jogo de tabuleiro em família é, provavelmente, a ferramenta mais barata e eficiente para criar ligações reais. Não estou a falar daqueles jogos de sorte pura onde passamos duas horas a lançar dados sem decidir nada. Falo de jogos modernos, desenhados para que pais e filhos joguem em pé de igualdade, onde a criança tem de tomar decisões, gerir as suas peças e, acima de tudo, aprender a ganhar e a perder com dignidade.

[[ O VALOR EDUCATIVO DO TABULEIRO ]]

Muitas vezes, os pais olham para os jogos como mero entretenimento, mas na verdade estamos a trabalhar competências fundamentais. Quando jogamos um jogo de tabuleiro com uma criança, estamos a ensinar-lhe paciência (esperar pela sua vez), lógica (planear a jogada seguinte) e matemática básica (contar pontos ou recursos). Em Coimbra, temos muitas famílias que já adotaram a “sexta-feira de jogos”. É o dia em que os telemóveis ficam no cesto à entrada e a mesa da sala é ocupada por um mapa, umas cartas ou umas figuras de madeira.

Desenvolvimento cognitivo: Jogos de memória e observação rápida.
Inteligência emocional: Aprender que a derrota faz parte do processo e que podemos tentar de novo.
Literacia: Ler cartas e entender regras complexas ajuda no desenvolvimento da linguagem.
Coordenação motora: Manipular peças pequenas e organizar o tabuleiro.

|| Escolher o jogo certo por idade ||

Um erro comum é tentar forçar um jogo demasiado complexo para a idade da criança. Se o miúdo não percebe as regras, desiste em cinco minutos e volta para o ecrã. Na nossa loja, dividimos os jogos por etapas. Para os mais pequenos (4 a 6 anos), focamo-nos na destreza e nas cores. Para os médios (8 a 12 anos), introduzimos a estratégia ligeira e a gestão de recursos. O segredo é o jogo ser desafiante mas não frustrante. Temos títulos que são autênticas lições de história ou de ecologia, mas apresentados de uma forma tão divertida que eles nem percebem que estão a aprender.

[[ INVESTIR EM TEMPO DE QUALIDADE ]]

Ao contrário de um brinquedo de plástico que se parte em duas semanas, um bom jogo de família dura décadas. Pode ser jogado com os primos, com os avós e, mais tarde, passar para a geração seguinte. No nosso espaço em Coimbra, defendemos que o jogo de tabuleiro é o melhor antídoto para a solidão digital. Sentar-se à mesa, ouvir a opinião dos outros, negociar uma troca de cartas e rir de um erro comum é o que constrói a estrutura de uma família unida. Não precisas de ser um génio da estratégia; só precisas de estar presente, abrir a caixa e deixar que o jogo faça o resto. É um investimento pequeno para um retorno que não se mede em dinheiro, mas em gargalhadas e histórias para contar no futuro.